Existem dois tipos de Carnitina: a L-Carnitina e a D-Carnitina. As iniciais "D" e "L" referem-se à dextrogiro e levogiro, respectivamente. A diferença entre esses isômeros ópticos está no sentido para o qual desviam o plano de vibração da luz polarizada: para o sentido horário (dextrogiro) e para o sentido anti-horário (levogiro). Mudando o sentido, mudam as propriedades químicas. Esse é o caso da D-Carnitina. Ela não é recomendada para o consumo humano e não está presente no corpo humano e nos alimentos, diferente da L-Carnitina.

 

A L-carnitina tem recebido atenção por ser um responsável pela transferência dos ácidos graxos de cadeia longa do citosol para a mitocôndria, facilitando a oxidação desses e a consequente geração de ATP. Devido à essa característica tem sido vendido como um recurso ergogênico para praticantes de musculação. Para que os ácidos graxos de cadeia longa atravessem a membrana mitocondrial para serem oxidados, é necessário que o ácido graxo se ligue à carnitina, cuja concentração pode ser manipulada pela suplementação em longo prazo (12 a 24 semanas) de carnitina.

A carnitina, é sintetizada no organismo (fígado, rins e cérebro) a partir de dois aminoácidos essenciais: lisina e metionina, exigindo para sua síntese a presença de ferro, ácido ascórbico, niacina e vitamina B6. Tem função fundamental na geração de energia pela célula, pois age nas reações transferidoras de ácidos graxos livres do citosol para mitocôndrias, facilitando sua oxidação e geração de adenosina trifosfato (ou simplesmente ATP, molécula constitui a principal forma de energia química).

A concentração orgânica de carnitina é resultante de vários processos metabólicos, tais como ingestão, transporte dentro e fora dos tecidos e excreção. Doenças que comprometem algum desses processos, e que têm como características o aumento do metabolismo e estado nutricional debilitado, geram um estado carencial de carnitina. As conseqüências são relacionadas principalmente ao metabolismo de lipídeos (Nome dado às substâncias orgânicas usualmente chamadas gorduras).
A suplementação de L-carnitina pode aumentar o fluxo sangüíneo aos músculos devido também ao seu efeito vasodilatador e antioxidante, reduzindo algumas complicações de doenças isquêmicas, como a doença arterial coronariana (envolve o comprometimento do fluxo sanguíneo através das artérias coronárias), e as conseqüências da neuropatia diabética (distúrbio nervoso causado pelo diabetes).


A IMPORTÂNCIA CLÍNICA DA SUPLEMENTAÇÃO


Isquemia do miocárdio

Tal depleção, associada ao acúmulo de ésteres de acilcarnitina no miocárdio, pode levar a danos na membrana das células cardíacas e prejuízos na atividade elétrica e contrátil do coração. Com o fluxo sangüíneo reduzido, o processo de produção de energia é limitado. Os efeitos benéficos observados foram atribuídos às propriedades antioxidantes da carnitina.


Arterial periférica

Prejudica a circulação do sangue nas pernas.
A suplementação de L-carnitina poderia ser benéfica, uma vez que é um agente metabólico capaz de aumentar a disponibilidade local de substratos produtores de energia.
Demonstraram melhora significativa do consumo máximo de oxigênio.


Renais

Em condições normais, os rins reabsorvem completamente a carnitina livre.
Alguns pacientes particularmente submetidos à tratamento de hemodiálise por longos períodos também podem desenvolver deficiência de carnitina por outras causas, como: redução da ingestão de carnitina ou dos aminoácidos precursores (lisina e metionina), má absorção intestinal, capacidade de síntese renal reduzida, transporte alterado, redução das atividades de enzimas do sistema carnitina e aumento das necessidades.
A carnitina é um importante co-fator no metabolismo intermediário. Assim, a redução das concentrações no organismo pode levar a sérios distúrbios celulares, incluindo prejuízos na oxidação de ácidos graxos e na produção energética, piora do perfil lipídico, acúmulo de produtos tóxicos do metabolismo de gorduras e inibição de algumas enzimas da via metabólica.

Embora ainda não exista recomendação de ingestão diária, a maior parte dos estudos em humanos utilizam doses entre 2 e 6g/dia de carnitina por períodos de dez dias a dez semanas, além de administrações agudas, sendo que as doses orais usualmente suplementadas variam entre 500 e 2000mg/dia.
A suplementação de carnitina é promissora, uma vez que não é onerosa e se mostra segura. O aumento da tolerância ao exercício físico e a melhor qualidade e maior expectativa de vida dos portadores de enfermidades crônicas são observados.

 

 

REFERÊNCIAS
OLIVEIRA, Tatiana Resende Prado Rangel de; RADICCHI, Antônio Leite Alves. Inserção do nutricionista na equipe de atendimento ao paciente em reabilitação física e funcional. Rev. Nutr. vol.18 nº.5 Campinas Sept./Oct. 2005.

C.F. COELHO. Revista de Nutrição. https://doi.org/10.1590/S1415-52732005000500008. Acesso em: 15-08-2020.